domingo, 16 de junho de 2013

REVISTA: ESTUDOS DO TRABALHO



A Revista Latinoamericana de Estudos do Trabalho (RELET) é uma publicação semestral da Associação Latinoamericana de Estudos do Trabalho (ALAST), editada em castelhano, português, francês e inglês. A RELET é uma revista científica, temática e interdisciplinar, que tem como objetivo principal estimular o debate acadêmico no campo dos estudos do trabalho. Os editores da RELET são eleitos pela Assembléia da ALAST, em seus congressos trienais.
 
É com imenso prazer que apresentamos o Número 29 da RELET - Revista Latino-Americana de Estudos do Trabalho, comemorativa dos 20 anos da ALAST. A revista pode ser lida gratuitamente em http://relet.iesp.uerj.br/Relet_29.

Cordialmente,
Adalberto Cardoso e José Ricardo Ramalho
Editores da RELET.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

EDUCAÇÃO, MODERNIDADE E PÓS-MODERNIDADE: NEWTON DUARTE



O amigo professor Efrain Maciel e Silva (UnB) acaba de divulgar os links para os vídeos do evento "Educação, Modernidade e Pós-Modernidade" promovido pela Faculdade de Educação da UnB e pelo grupo Avante nos dias 23 e 24 de maio de 2013.

O evento teve como palestrante o professor doutor Newton Duarte, figura central para a perspectiva histórico-crítica. Professor Newton Duarte tratou, além da temática central do evento, a questão do Método Científico da Pesquisa em Educação. Na oportunidade, realizou-se o lançamento do livro Pedagogia Histórico-Crítica e Luta de Classes na Educação Escolar  obra recente que traz a atualidade e vigor do debate educacional transformador no Brasil. Abaixo seguem os vídeos de duas conferências! Para assistir a todos em sequência clique em playlist.



domingo, 26 de maio de 2013

RIQUEZA E MISÉRIA DO TRABALHO NO BRASIL

Este segundo volume de Riqueza e miséria do trabalho no Brasil apresenta um panorama amplo e multifacetado da nova morfologia do trabalho, analisando as distintas terceirizações, as múltiplas precarizações e os vários modos de ser da informalidade que despontam no país, acentuados a partir dos anos 1990, quando se redesenhou a divisão internacional do trabalho. O livro traz estudos aprofundados de vários ramos ou setores econômicos, como petroquímico, metalúrgico, aeronáutico, hoteleiro, educacional e fumageiro, que, em conjunto, permitem uma melhor compreensão da organização do trabalho no Brasil. Também são apresentadas análises sobre as tendências presentes no capitalismo dos países centrais, que dialogam com o caso brasileiro e servem de contexto para entender os impasses e estratégias das organizações de trabalhadores, como os sindicatos e as ocupações de fábricas.

Fruto de um dos maiores núcleos de pesquisa sobre o trabalho no Brasil, o livro reúne, sob coordenação do sociólogo Ricardo Antunes, a contribuição coletiva de mais de 20 pesquisadores e autores, entre eles Pietro Basso, Sadi Dal Rosso, Graça Druck, Henrique Amorim, Adrian Sotelo, Edilson Gracioli e Geraldo Augusto Pinto, em torno da questão “Para onde vai o mundo do trabalho: as formas diferenciadas da reestruturação produtiva no Brasil”. Inspirado na formulação de Marx, presente nos Manuscritos econômico-filosóficos, a respeito da relação dialética entre riqueza e miséria no trabalho, o livro aprofunda a investigação empírica em diversos setores da economia brasileira e traça um panorama atual do mundo do trabalho no Brasil, refletindo algumas de suas dimensões essenciais em seu processo de reestruturação contemporâneo.

Os 24 artigos que compõem esta obra são organizados em três partes. Uma primeira estabelece um panorama das diversas modalidades do trabalho na atualidade, com ênfase na inserção do Brasil no cenário global, e lança as bases para uma teoria geral da fenomenologia do trabalho. A hipótese de Ricardo Antunes aqui é de que “a aparente invisibilidade do trabalho é a expressão fenomênica que encobre a real geração de mais-valor em praticamente todas as esferas do mundo laboral nas quais ele possa ser realizado”. A segunda parte forneçe um exame detido dos vários ramos econômicos (petroquímico, metalúrgico, educacional, aeronáutico, hoteleiro, fumageiro e do agronegócio), a fim de melhor compreender os modos diferenciados da produção no Brasil, bem como a nova morfologia do trabalho que vem se configurando. A terceira e última parte se debruça sobre as tentativas de resistência presentes no cenário social, explorando algumas de suas respostas e desafios, como as cooperativas e os diferentes modos de ação sindical.

Ricardo Antunes é professor titular de Sociologia do Trabalho no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (IFCH/Unicamp). É autor, entre outros, de Adeus ao trabalho? (14a edição revista e ampliada, São Paulo, Cortez, 2010); Os sentidos do trabalho (2a edição, 10a reimpressão revista e ampliada, São Paulo, Boitempo, 2009) e Infoproletários: degradação real do trabalho virtual (co-organização, São Paulo, Boitempo, 2009). Coordena as coleções Mundo do Trabalho (Boitempo) e Trabalho e Emancipação (Expressão Popular). 

 
Confira em Boitempo Editorial.

segunda-feira, 25 de março de 2013

EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR PARANAENSE: VALORIZAÇÃO OU DEGENERAÇÃO PEDAGÓGICA?

Realizar uma Educação Física inundada sentido é esforço contra-hegemônico sem sombra de dúvidas. Estamos analisando a dialética da hegemonia em múltiplas possibilidades e determinações e o contexto histórico da Educação Física é base para nossa reflexão.
Labutamos no interior de um campo de conhecimento fundado pelo prisma higienista-militar de circunscrição marcadamente reacionária. Somam-se dificuldades de superação dessas características germinais da Educação Física na medida em que seus traços se reapresentam constantemente sob novas roupagens e distintas nomenclaturas.
Existem ainda, proposições supostamente superadoras das raízes da Educação Física, que ao propugnarem novas experiências para a disciplina na escola na tentativa de cisão à escola tradicional, propõem o esvaziamento do currículo, a negação do papel social da escola e consequentemente recuam ao papel emancipador da educação e da Educação Física.
Nesses dois pontos superiores, refiro-me nomeadamente às proposituras escolares como as da iniciação esportiva universal, da saúde renovada, do educar para e por meio da ludicidade, da educação física do cotidiano, da educação física construtivista ou do aprender a aprender, da abordagem desenvolvimentista, dos jogos cooperativos, da educação física para o olimpismo ou dos jamais falecidos Parâmetros Curriculares Nacionais, resquício da era Fernando Henrique Cardoso.
A essas pedagogias crítico-reprodutivistas, idealistas, ou pedagogias do capital, adiciona-se a imagem do fatalismo, do descrédito e abandono pedagógico retratada nas chamadas aulas livres. Dessas determinações coexistentes, sintetiza-se o vazio pedagógico, a miséria da Educação Física ou a Educação Física da miséria.
Nesse conturbado contexto objetivo é que uma Educação Física comprometida com a transformação social – e isso inclui a transformação de si própria – busca florescer. Mas não sem duros entraves.
Vejamos o contexto da Rede Estadual de Educação.
Em meados de dois mil e quatro, findou-se um processo de discussão e construção de um documento norteador da prática pedagógica em Educação Física, as Diretrizes Curriculares para a Educação Básica. Essa construção perpassou um longo caminho levando as discussões aos professores reais, efetivos do quadro do magistério, buscando coletar contribuições. O documento final, salvo limites próprios desse tipo de proposta, indicou um texto consideravelmente coeso, apontando a perspectiva crítico-superadora à Educação Física e a pedagógica histórico-crítica à educação em geral.
Dessa instituição, levou-se a cabo pela Secretaria de Estado da Educação uma política de implementação, com elaboração de materiais didáticos diversos – aqui incluído o Livro Didático Público da Educação Física no Ensino médio – e a promoção de formações continuadas aos professores, valorizando o estudo curricular dentro da perspectiva apontada.
Ainda que baseada num limitado quadro de conteúdos e seus objetivos, a diretriz curricular estadual apontava para critérios de aprendizagem para cada temática, na busca pela organização do trabalho pedagógico com vistas à apreensão dos conhecimentos. A emergência de um novo governo de traço educacional notadamente neoliberal, institui o início de um processo de degeneração pedagógica da Educação Física e da Educação em geral.
A declaração basal da nova perspectiva à educação paranaense pode ser visualizada no lançamento do Plano de Metas do Primeiro Semestre da referida pasta. Recuos teórico-pedagógicos já podiam ser vistos no anúncio das metas e foram sentidos a cada passo para sua implementação. Uma das primeiras ações que trazemos à tona foi o estabelecimento de um Caderno de Expectativas de Aprendizagem, no qual a discussão coletiva realizada pelos professores acerca do mesmo foi em parte ignorada, instituindo-o como documento norteador aos novos planejamentos pedagógicos dos professores.
Mais do que uma alteração de nomenclatura, a transfiguração dos critérios às expectativas de aprendizagem revela uma nova opção teórico-metodológica, claramente recuada, que em última instância demonstrou um processo de degeneração pedagógica em estado nascente. Exemplo claro dessa situação é quando se institui enquanto expectativa de aprendizagem a mera vivência de determinado conteúdo, o que não atribui nem explicita o conceito a ser apreendido na determinada temática.
O aprofundamento da precarização do trabalho pedagógico em Educação Física ocorreu na divulgação recente dos resultados IDEB nas Escolas Estaduais. Numa tonalidade absolutamente acrítica, a Secretaria de Estado da Educação passa a implantar um receituário de medidas com vistas à recuperação dos dados estatísticos. Dentre essas, a alteração arbitrária da grade curricular do Ensino Fundamental reduziu o número de aulas de diversas disciplinas, inclusive da Educação Física, aumentando a quantidade de aulas de língua portuguesa e matemática.
Nessa alteração marcadamente autoritária, antidemocrática e antipedagógica, privilegiaram-se as disciplinas cobradas nas avaliações externas e que compõem imediatamente o IDEB.
Não houve consulta a quaisquer dos segmentos envolvidos: estudantes, professores, comunidade, Universidades – sequer as estaduais – ou ao sindicato dos servidores do magistério. Simplesmente, fez-se. Ignorou-se o princípio da Gestão Democrática. Toda construção pedagógica da Educação Física no ensino fundamental foi desconsiderada, e a nova organização da grade, com apenas duas aulas semanais, vem inviabilizando ou dificultando sobremaneira as experiências singificativas advindas do chão da escola, a exemplo das aulas internas – elemento essencial da exploração de recursos pedagógicos e da relação indissolúvel entre teoria e prática na Educação Física.
O projeto de formação integral aos estudantes filhos da classe trabalhadora, em curso a duras penas e coberto de limites estruturais, fracassara por força do autoritarismo. Enquanto a educação da classe dirigente, estruturada nas distintas dimensões da capacidade humana, toma a cultura corporal como artigo de luxo, disponível efetivamente apenas aos seus pares, a educação das classes populares encontra-se limitada ao velho ditame dos primórdios da educação capitalista que propugnava ao proletariado apenas a capacidade de ler, escrever e contar. Dimensões essas preponderantes à formação da força de trabalho disponível à exploração capitalista. Uma formação desqualificada, baseada na manutenção da dualidade estrutural da educação, que relega à classe trabalhadora a formação humana de lógica desumanizada, mutilada.    
Todavia, a tendência imposta pelo Governo não passou sem a percepção dos diversos segmentos. Emergiram respostas acaloradas das escolas, movimentos, Universidades e sindicato, obrigando o Estado a emitir novas declarações públicas a respeito.
No que toca a Educação Física, a cada novo posicionamento do governo, mais exposto se tornou o processo de degeneração e precarização pedagógica da área. A cada manifestação do Estado, mais se demonstrou o recuo teórico-metodológico em vias de implantação no Paraná.
Segundo os enunciados oficiais, os professores de Educação Física deveriam ficar despreocupados, pois sua área seria valorizada com a instituição – pasmem – da hora-treinamento, de projetos de contraturno escolar para educação em tempo integral, e na valorização do esporte em tempos de olimpíadas e copa do mundo. Na intenção de minimizar ou apaziguar os ânimos, também ressaltaram a construção de um Caderno de Orientações Pedagógicas a Copa do Mundo da FIFA, como se o documento norteador paranaense não desse conta de abarcar o fenômeno do Esporte Corporativo, de massa, aliado a Indústria Cultural de Consumo.
Em síntese, o engodo oferecido pelo Estado à educação física não é outra coisa se não o seu próprio retrocesso pedagógico. Substitui-se um processo de construção em curso, pela redesportivização da área, confundindo conteúdo singular com a disciplina em geral, ou seja, confundindo esporte com Educação Física escolar, professor com técnico desportivo, currículo com atividade de contraturno, apreensão crítica das manifestações esportivas com especialização e detecção de possíveis atletas. Essa última, na referida perspectiva, é maneira única pela qual os filhos da classe trabalhadora possuem o direito de acesso a cultura corporal. Ignoram consciente e arbitrariamente as diferenças fulcrais entre as propostas de educação integral e a educação em tempo integral.
Em outras palavras, mexem nas cerejas, bravateiam novos condimentos, mas não conseguem, andam com os pés do Curupira. Tentam enxertar, mas o que plantam é nada mais que o vazio da Educação Física escolar curricular e a colheita será mais um golpe na tentativa da formação integral dos estudantes do Ensino Fundamental.
Nesse contexto, surgem ainda outras respostas à questão, como a manifestação empobrecida, obtusa e oportunista do Conselho Regional de Educação Física, estrutura medieval posta para fora da atuação escolar no Estado do Paraná e que busca incessantemente retomar sua legitimidade esfacelada.
Ainda registramos manifestações pontuais em diversas localidades do estado, assim como nas redes sociais, as quais precisamos tomar com cuidado, pois vêm anunciando uma defesa da educação física na perspectiva da formação de atletas em tempos de megaeventos, na perspectiva da saúde instrumental e na profilaxia à obesidade infantil. Percepções retrógradas da educação física escolar, que reaparecem em tempos de crise.
Nos movimentos sociais, o sindicato do magistério estadual, APP-Sindicato, iniciou a recomposição do coletivo estadual de professores de Educação Física, realizando encontros regionais e gerais, articulando as discussões e qualificando a resistência da área. Todavia, será preciso estar atento para que não se aceite os recuos à área propostos pelo governo – como a hora-treinamento e as oficinas de educação integral, problemáticas ao extremo – e se busque a revogação da atual grade curricular para uma discussão mais qualificada sobre currículo.

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         O presente texto é um excerto do artigo intitulado "Educação Física e escola pública: desafios para a formação humana no contexto da sociabilidade capitalista" apresentado no XVIII Seminário de Encerramento da Disciplina de Prática de Ensino de Educação Física (DTPEN/UFPR) com o tema "Pensando o ensino de Educação Física na escola e a formação de professores: compromissos com a qualidade da escola pública e desafios para a docência".

sábado, 28 de julho de 2012

CURITIBA: LANÇAMENTO LIVRO DO MNCR

O núcleo Curitiba do MNCR convida todos os trabalhadores em Educação Física, tradições culturais e outras áreas, assim como sindicatos e movimentos sociais de luta pelos direitos dos trabalhadores para o evento de lançamento do livro “MNCR: 10 anos na luta pela regulamentação do trabalho" publicado pela editora da Universidade Estadual de Feira de Santana (BA).

Na ocasião, será concedida fala para saudação de instituições e movimentos apoiadores do MNCR e proferida palestra sobre a temática com o Renato Pizzatto Vivan. Renato é militante do MNCR, licenciado em Educação Física (PUCPR) e mestre em Educação (UFPR). Leciona Educação Física na Rede Municipal de Educação de Curitiba.

Na sequência, além do espaço de lançamento do livro, haverá um momento para assinatura da “Carta das Tradições Culturais e da Educação Física contra a ingerência do CONFEF”. Contamos com seu apoio na construção dessa carta e assinatura da mesma!



SERVIÇO:


DATA: 10 DE AGOSTO (SEXTA-FEIRA)
HORÁRIO: 18h00
LOCAL: SEDE ESTADUAL DA APP-SINDICATO
Avenida Iguaçu, 880 - Rebouças - Curitiba/PR - Brasil
FACEBOOK: https://www.facebook.com/events/280577108716508



SEMINÁRIO DO TRABALHO

Entre 25 e 28 de julho ocorreu VIII Seminário do Trabalho na Universidade Estadual de São Paulo, na cidade de Marília. Organizado pela Rede de Estudos do trabalho, essa edição teve como tema "Trabalho, Educação e Políticas Sociais no Século XXI".

O seminário discutiu entre outros assuntos, a crise econômica na Europa, seu atual quadro de desemprego e precarização do trabalho, especialmente notada pelos jovens. O encontro também debateu as políticas educacionais e sociais brasileiras e os pesquisadores demonstraram que para uma educação transformadora e de qualidade é preciso mudar radicalmente os rumos atuais. Os rumos atuais investem pouco dinheiro, deixam a educação pública virar sucata e precisam ser modificados, assim como os encaminhamentos pedagógicos em geral.

No evento, participei da Sessão de Lançamento de Livros, momento no qual me dirigi à plenária para informar a produção (livro) do qual sou autor de um capítulo junto de outros camaradas de Curitiba. A mesa nessa noite tinha como temática "Estado, sindicalismo e políticas sociais" com a participação de Luiz Salvador (ALAL), Rafael Gomes (Procurador do Trabalho) e Douglas Izzo (CUT).
Nos lançamentos tratei da obra "MNCR: 10 anos na luta pela regulamentação do trabalho", disponibilizando-a ao conjunto dos trabalhadores, sindicalistas e pesquisadores do trabalho, como ferramenta de luta, como socialização de uma importante experiência da Educação Física a ser dividida com o conjunto da classe contra a regulamentação das profissões e pela regulamentação do trabalho!

Também participei do Grupo de Trabalho “Trabalho, tecnologia e reestruturação produtiva” apresentando artigo sobre a discussão que realizei em minha dissertação de mestrado. No grupo, foram quase quarenta trabalhos apresentados em dois dias abordando a temática citada, traçando um quadro de precarização estrutural do trabalho, ameaça aos direitos dos trabalhadores, assim como pautadas cooptações e resistências de classe.




sábado, 9 de junho de 2012

NOTA DE SOLIDARIEDADE


Venho por meio desta, manifestar publicamente toda minha solidariedade e apoio à professora Lígia Regina Klein (UFPR) que vem sendo acusada indevidamente de injúria racista. Tal acusação não pode encontrar qualquer fundamento, considerando toda a história política e acadêmica dessa professora. Lígia Klein é educadora determinada, vem formando há anos professores, militantes, mestres e doutores na perspectiva da emancipação das classes populares. Esses, dominantes das teorias sociais críticas tão brilhantemente abordadas pela professora, atuam hoje nas mais diversas frentes, como sindicatos, salas de aula, movimentos sociais e partidos políticos. 

Na concepção de emancipação das classes populares, Lígia sempre advogou pelas reivindicações dos injustiçados, dentre os quais as mulheres trabalhadoras e o povo negro. Lígia possui posição, a partir da qual trava sua luta em todos os momentos. Lígia possui um lado, o lado dos excluídos, dos explorados, daqueles que têm a perder apenas os grilhões que lhes acorrentam. Sua contribuição à luta do povo tem magnitude marcada. É gigante como o Baobá africano.

Lígia é sensível àqueles que sentem na pele cotidianamente o aviltamento do preconceito, por isso se retratou – e sua retratação foi aceita – sobre o caso em que houve incompreensão do sentido de suas palavras. Sendo assim, configura-se num injusto equívoco dar continuidade a acusações e a formas pejorativas de se referir a essa importante companheira.

Atacar uma lutadora popular como Lígia, é, sem sombra de dúvidas, enfraquecer toda a luta daqueles que inconformados, batalham pela transformação radical da sociedade excludente que herdamos. Isso contribui também para colocar um sorriso na cara de toda uma intelligentsia reacionária e conservadora, que sabemos, ao sorrir ainda deixa transparecer entre seus dentes o sangue extraído de nosso povo. 

Dessa forma, evoco todos meus companheiros e companheiras, comprometidos com as causas aqui referidas, para que se sensibilizem e solidarizem com Lígia Regina Klein, uma peça fundamental de nossas lutas, dentre elas a luta contra o racismo. 

À professora Lígia, a quem agradeço por toda contribuição em minha formação, ainda escrevo algumas palavras. A capoeira me ensinou que o mundo dá muitas voltas, e “na volta que o mundo dá”, restabelecida por toda sua vitalidade e força transformadora, encontrar-nos-emos como sempre, ombro a ombro com o povo, batalhando por sua emancipação.

Curitiba, outono de 2012.

Nilo Silva Pereira Netto é professor da rede pública de ensino. Licenciado em Educação Física e Mestre em Tecnologia. É coordenador geral adjunto do Sindicato dos Servidores do Magistério de Araucária (SISMMAR). Vencedor do Prêmio Orirerê – Cabeças Iluminadas, por sua contribuição na educação das relações étnicorraciais (2011). É coordenador da Equipe Multidisciplinar para Educação das Relações Étnicorraciais e Ensino de História e Cultura Afrobrasileira, Africana e Indígena do Colégio Estadual Papa João Paulo I – também vencedora do Prêmio Orirerê na categoria Equipes Multidisciplinares.